quarta-feira, 3 de março de 2010

Faroeste dos caboclos

Terça-feira, 02 de março de 2010.

Era só mais uma terça-feira normal, na vida do não menos normal Reginaldo da Silva, ajudante de cozinha de 47 anos, que se encaminhava para o trabalho em um de nossos queridos ônibus cariocas.
Era só mais um dia de luta para ele. Mas, infelizmente, um caubói lhe adiantou o caminho para a clareira do fim da estrada. E simplesmente o fez porque Reginaldo negou-se a fechar a janela do ônibus. Esquecemos de avisar ao nosso colega que o direito de ir e vir, se é que um dia existiu de fato, está suspenso até segunda ordem. E pelo visto será para sempre...

Para todos nós que continuamos aqui a lutar, a percepção de que esta luta é cada vez mais vã e desgraçada (odeio essa palavra) se agiganta em nossas mentes.
Eu não conheci Reginaldo. Aliás, confesso que, ao dar-me o direito de escrever sobre sua pessoa, deveria ter feito o dever de casa e lido um pouco mais sobre o (triste) caso. Mas não quis. O pouco que li já foi muito!

Até quando perdurará esse "Faroeste dos Caboclos" em que vivemos??? Uma cidade que almeja ser grande tem de começar a pensar nisso desde já, e a revolução tem que ser em cada um. Não adianta continuar aguardando que os governantes mudem; já estamos a esperar por isso há muito. Essa mudança é primordial, para que amanhã não sejamos nós a enterrar os "Reginaldos" de nossas famílias.

Deixo meus pêsames à viúva, a Sra. Aparecida Pereira da Silva.
Fique em paz, Reginaldo, onde você estiver.

Deco.

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